PROGRAMA NACIONAL UNIFICADO DA CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE KARATÊ
INTRODUÇÃO
O que diferencia o Karatê-Dô de outras modalidades de luta é exatamente os princípios filosóficos, herança dos Mestres do passado, e que é o pedestal do espírito do Karatê.
O professor Funakoshi Guinchin (1868 – 1955), considerado o pai do Karatê Moderno, recebeu ensinamento de vários mestres que seguiam os princípios filosóficos do Budô, tendo deixado como herança comportamental do karateca o Karatê Nijukkun, ou seja, 20 princípios fundamentais do espírito do Karatê, coisa que o karateca tem a obrigação de conhecer e praticar para se considerar como tal.
As cinco normas pessoais do Mestre Funakoshi para entender o Karatê-Dô são:
1. “Deves ser absolutamente sério no treinamento”;
2. “Treinar entregando-se de corpo e alma sem preocupar-se com a teoria”;
3. “Evitar a vaidade e o dogmatismo”;
4. “Tratar de ver-se como realmente és, e imitar o que você vê de mérito nos trabalhos dos outros”;
5. “Praticar as normas éticas na sua vida diária, tanto em público quanto no privado”.
Através da longa prática das normas acima descritas, o mestre elaborou os vinte princípios:
I. “O Karatê começa e termina com o cumprimento”: Símbolo do respeito mútuo. O cumprimento também é um símbolo de cortesia e gratidão ao professor; ao fundador; ao Dojô; aos praticantes e ao próprio Karatê. Tudo isso nos tornará mais sociáveis e serviremos melhor a sociedade.
II. “Nunca se faz o primeiro ataque no Karatê (Karatê Ni Sente Nachi)”: Essa frase se encontra na lápide do prof. Funakoshi e quer dizer que o Karatê não é um meio de ferir e nem provocar danos.
III. “O Karatê é retidão”: A intenção deve ser boa; deve ser justa.
IV. “Conheça a si mesmo para conhecer os outros”: Devemos conhecer os nossos pontos fortes e fracos.....Assim, conheceremos aos outros.
V. “No Karatê o espírito é mais importante que a técnica física”: O desenvolvimento físico tem limites, enquanto o mental não o tem. KI SHIN TAI, expressa a necessidade de uma boa união entre espírito, mente e corpo para o desenvolvimento do karateca.
VI. “O Karatê é lealdade e espontaneidade”: O espírito e a mente devem ser inalteráveis, junto com um coração limpo, fará com que as intenções se apresentem sem medos nem temores, e nossas reações e ações serão boas e adequadas a cada momento.
VII. “O Karatê ensina que as adversidades golpeiam quando há desistência”: Caiu sete vezes, levanta oito. Nunca desistir.
VIII. “O Karatê não se vive somente no Dojô”: O Karatê deve ser uma forma de vida, deve estar no nosso pensamento sempre; é um modo de comportamento correto; uma forma de ser e agir; um conjunto de valores e intenções. Deve pensar com o espírito do Karatê em qualquer coisa da vida.
IX. “O Karatê é uma norma para toda vida”: O objetivo do Karatê não está em chegar, mas sim percorrer o caminho. O Karatê é um caminho e não um fim, por isso, não se trata de chegar em nenhum lugar. Desta maneira, desfrutaremos o Karatê até o último minuto da nossa vida.
X. “O Karatê toma como exemplo a natureza”: A potência é a estabilidade das montanhas; a adaptabilidade dos canaviais enfrentando os ventos; a mudança de direção das águas enfrentando as pedras para seguir avançando; o deslocamento dos animais, seus ataques. O culto do Karatê com a natureza, tanto físico quanto espiritual. A natureza é sábia, nos ensina tudo, se quisermos aprender.
XI. “O Karatê é como água fervente, se o fogo abaixa, ela esfria”: Os valores internos espirituais não devem sofrer variações. Uma vez entendido o Karatê na sua profundidade, deve ser mantido com o fogo da alma.
XII. “O karatê não é vencer, mas a idéia de não perder”: Não devemos temer o adversário por sua reputação ou força; respeitá-lo sim; tomar precauções sim, porém aceitar a derrota antes da luta, não. Que ele nos derrote, porém não nos derrotemos sozinhos. Pensar em ganhar, com a precaução e não com excesso de confiança.
XIII. “A atitude em função do inimigo”: Devemos estudar o adversário e agir conseqüentemente. Segundo a estatura, corpulência, movimentação, velocidade, intenção, etc. Conforme o nosso nível e condições, devemos agir inteligentemente e enfrentá-lo. A estratégia e a tática servem para qualquer tema da vida.
XIV. “O segredo do combate está em diferenciar o verdadeiro do falso”: Continuamente recebemos estímulos, ataques verdadeiros e falsos. Devemos saber diferenciar, através da nossa intuição e experiência, como contra-atacar. Devemos impor a nossa tática; devemos dirigir e não ser dirigidos.
XV. “Moldar o corpo transformando-o em uma arma”: Encontrar o adversário com dignidade e derrotá-lo com força.
XVI. “Quando sais de casa, um milhão de inimigos te esperam”: Muitos são os perigos que nos circundam, deve-se estar sempre alerta e atento. Lembrar que qualquer negligência pode levar ao fracasso.
XVII. “O Karateca mantém sempre a posição de guarda (kamae). A posição natural Shizentai é para os níveis adiantados”: No princípio o Kamae é a posição adotada pelos principiantes, sendo forte e concentrada. A posição Shizentai (natural) é mais rápida, permite movimentos mais lógicos e naturais, mas depois de muito treinamento.
XVIII. “O kata é o aprimoramento do estilo, o kumite é diferente”: O Kata desenvolve certas qualidades para o combate, porém são coisas diferentes. O kata tem personalidade por si mesmo, no kata a distância entre dois oponentes (ma-ai) e a agressão não existe.
XIX. “Não parar de variar ritmos e técnicas”: Como o arco, o karateca deve ter contração, expansão, velocidade, relaxamento, concentração e suavidade. Variando continuamente será mais difícil que percebam as nossas intenções. Se surpreendermos continuamente, tudo nos será mais fácil.
XX. “O espírito deve sempre almejar o nível mais alto”: Devemos nos adaptar as coisas para superar os desafios. Nunca procure as coisas fáceis, construa-se com cimento forte (kihon).

